A Sumol está ai com uma nova campanha publicitária cujo slogan é o de “Mantém-te Original”.
A campanha tem a sua piada, os textos são engraçados, as imagens que os acompanham também.
No entanto não acho que se encontre nem perto do excelente. Primeiro porque toda a originalidade a que apela a campanha não se trata de originalidade na sua verdadeira acepção. O facto de não usarmos gravata, de não irmos por o lixo à rua, de não termos carro faz parte do nosso “grupo social”, o de sermos jovens. E o que é rumar contra a corrente afinal? sair a noite, chegar tarde, vestir-se como bem se quer, partilhar a intimidade, ser revolucionário – ora..onde está a originalidade disto digam-me lá – é nisto que consiste o rumar contra a corrente? Eu diria que isto é apenas ser-se jovem, tipicamente jovem… pode ser divertido, não digo que não (isso fica ao critério de cada um), pode ser refrescante, mas original… enfim…
Bem, mas o que me chamou atenção na campanha nem foi isso. Comecei a ler os cartazes e, como já referi, até achei uma certa piada. Deixo aqui alguns deles:
Como podem reparar existe uma sequência de ideias. A ideia, como já devem ter percebido, é: a Sumol dá a frase grande – a “de um dia” bla bla bla – e o que está transmitido nessa frase é aquilo que futuramente não queremos fazer ou em que não nos queremos tornar. Ok, tudo bem, as frases até que são meio originais.
Eis então que chega um cartaz que diz: “Um dia vais perceber que a tua intimidade não é para todos”.
Ora, seguindo a sequência de ideias de todos os cartazes publicados por ai pela Sumol, a ideia que retiro deste cartaz é que, no futuro, não vou querer partilhar a minha intimidade com qualquer um…isto põe-me a pensar – “mas que raio? Então eu devo partilhar a minha intimidade, enquanto jovem, com todos é?” bem, eu acho que não, até porque dá a ideia de que somos uns vadios que saltamos por ai de cama em cama – bem, eu não aprecio que rotulem a juventude assim. Só por isto já fiquei aborrecida com a campanha da empresa dos sumos.
Bem, termino por aqui – já desabafei a minha consternação face a esta campanha.
E, se fizerem o favor, vamos manter-nos originais criativamente. Farras não são sinónimo de originalidade – acho que conseguimos aproveitar melhor a nossa bela juventude : )